Shows bancados com dinheiro público consomem R$ 143 milhões em Curitiba e região desde 2021

Levantamento do Tribunal de Contas

Um estudo realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná revelou que desde 2021, a cidade de Curitiba e 26 outros municípios na Região Metropolitana têm despendido aproximadamente R$ 143,2 milhões de recursos públicos em eventos e a contratação direta de artistas, sem a realização de licitações. Essa quantia representa cerca de 12% dos R$ 1,2 bilhões que foram gastos por 393 das 399 prefeituras do estado no mesmo período. Esses dados revelam um panorama significativo sobre como os gastos públicos estão sendo administrados, especialmente em eventos de entretenimento.

Os gastos em números

Entre as cidades que compõem a Região Metropolitana de Curitiba, apenas duas, Campo do Tenente e Piraquara, não apresentaram despesas relacionadas a essas festividades. O valor total gasto foi de R$ 143.298.880,12, concentrando-se principalmente em apresentações musicais. Os contratos mais comuns são com cantores e duplas do gênero sertanejo, incluindo valores de cachês que chegam a R$ 660 mil para Bruno e Marrone em Quatro Barras, R$ 620 mil na mesma cidade, R$ 600 mil para Luan Santana em Fazenda Rio Grande, e R$ 430 mil para Edson e Hudson em Araucária.

São José dos Pinhais: Líder em despesas

O município que mais investiu em shows desde 2021 foi São José dos Pinhais, onde os gastos totalizaram R$ 41,7 milhões. Somente em 2025, essa cidade gastou R$ 19,8 milhões, um montante que significa 1,35% da Receita Corrente Líquida (RCL) do local e equivalente a 6,39% do orçamento destinado à saúde e 7,02% aos gastos com educação. Outros municípios, como Fazenda Rio Grande, Curitiba e Campo Largo, também figuram entre os que mais contribuíram para esse total.

shows bancados com dinheiro público

Impacto nas finanças de municípios menores

Os gastos com shows podem afetar diferentemente as finanças de municípios com arrecadações menores. Enquanto Curitiba representa uma fração menor de seu orçamento, cidades com receitas mais limitadas comprometem uma porcentagem considerável da Receita Corrente Líquida. Em Campo Largo, por exemplo, o investimento em eventos de entretenimento representou 3,19% da RCL em 2026. Além disso, outros 12 municípios da região tiveram mais de 1% da receita comprometida com contratações em pelo menos um dos anos analisados.

Comparação com investimentos em saúde

O Tribunal de Contas do Paraná também fez uma comparação entre os gastos com shows e os investimentos municipais em áreas essenciais, como saúde e educação. Em Mandirituba, por exemplo, os gastos com shows em 2024 chegaram a representar 13,39% do que foi investido em saúde e 9,86% destinado à educação. Por sua vez, em São José dos Pinhais esses percentuais foram de 6,39% e 7,02%, respectivamente, em 2025, levantando questões sobre as prioridades de investimento das prefeituras.

Os artistas que mais receberam

O levantamento também traz à tona quais artistas receberam os maiores valores em contratações pelas prefeituras da Região Metropolitana desde 2021. O topo da lista é ocupado por Luan Pereira, que recebeu R$ 1.587.020, seguido por Guilherme e Benuto com R$ 1.420.000, e Bruno e Marrone com R$ 1.220.000. Outros nomes significativos são Fernando e Sorocaba, recebendo R$ 1.155.000 e Raça Negra, com R$ 1.120.000 em cachês. Esses valores elevados mostram como a administração de recursos públicos pode ser controversa.

Percentual da receita comprometida

Os percentuais de receita comprometida com esses eventos variam significativamente entre os municípios. Por exemplo, Campo Largo em 2026 utilizou 3,19% da sua receita para tais fins. Outro destaque é Mandirituba, que atingiu 1,91% em 2024. É importante observar que esses percentuais são variados e dependem da receita de cada município, fazendo com que alguns estejam em uma posição mais vulnerável financeiramente ao realizar gastos deste tipo.

Os maiores cachês pagos

Além de identificar os artistas, o levantamento também revela os maiores cachês pagos por show, com Luan Pereira liderando a lista seguido por outros grandes nomes da música. Isso levanta debates sobre a viabilidade econômica desses shows subsidiados com verba pública, além da análise da eficiência desses gastos comparados com necessidades mais urgentes.

Transparência dos gastos públicos

A pesquisa do TCE-PR apelou à necessidade de uma maior transparência nos gastos públicos. O uso de recursos para eventos, muitas vezes apresentados como gratuitos para o público, levanta preocupações sobre a verdadeira natureza desses investimentos. O monitoramento mais rigoroso e a divulgação clara dos gastos poderiam proporcionar uma visão mais nítida sobre as prioridades das administrações municipais.

Discussões sobre a viabilidade financeira

Por fim, a análise enfatiza a necessidade de um debate mais amplo sobre a viabilidade financeira de tais investimentos em shows em relação às prioridades orçamentárias de cada município. Existem argumentações válidas tanto a favor quanto contra esse tipo de investimento e um diálogo aberto poderia ajudar a estabelecer um padrão que equilibre o entretenimento e as necessidades sociais básicas.

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