Rebanho de búfalos avança na Região Metropolitana de Curitiba

A Região Metropolitana de Curitiba concentra quase metade do rebanho de búfalos do Paraná, segundo a Prefeitura de Curitiba. O dado é baseado no levantamento de 2025 da Produção da Pecuária Municipal.

O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a criação de búfalos cresceu na RMC ao longo de uma década. A atividade está associada à produção de leite e derivados, além da rentabilidade mencionada por produtores da região.

Entre os municípios com destaque estão Cerro Azul, Rio Branco do Sul, Adrianópolis e Itaperuçu, no Vale do Ribeira. As informações foram divulgadas pela prefeitura em 2 de novembro de 2026.

rebanho de búfalos

A produção envolve agricultores familiares, laticínios e iniciativas de apoio municipal, como assistência técnica em Rio Branco do Sul. O tema também ganhou espaço em eventos locais, incluindo um festival realizado no município em agosto.

Distribuição e crescimento do rebanho na Região Metropolitana

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho de búfalos da Região Metropolitana passou de 8.576 animais, em 2015, para 22.266, em 2025. O aumento foi de 13.690 cabeças, cerca de 160% em dez anos.

Cerro Azul liderava a criação, com 5.662 búfalos, seguido por Rio Branco do Sul, com 4.769, e Adrianópolis, com 3.798. Itaperuçu registrava 2.923 animais, enquanto Doutor Ulysses tinha 1.348.

Somados, esses cinco municípios reuniam 18.500 cabeças, aproximadamente 83% do total da Região Metropolitana. Cerro Azul e Rio Branco do Sul também se destacavam na produção leiteira, de acordo com a Prefeitura de Curitiba.

Na relação municipal divulgada com os dados do IBGE, Guaraqueçaba aparecia com 1.352 búfalos, Campo Largo com 1.342 e Curiúva com 1.334. Campina Grande do Sul completava a lista dos dez municípios com maior número, com 1.052 animais.

Mercado de leite de búfala e produção de derivados

A produção de leite é um dos focos dos criadores da região, e os derivados incluem queijos, iogurtes e doce de leite. Conforme levantamento da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), os laticínios receberam cerca de 20,4 milhões de litros de leite de búfala no Brasil em 2024.

O volume recebido em 2024 foi quase 20 vezes maior que o registrado em 2001, quando a coleta chegou a 1 milhão de litros. Segundo a prefeitura, o leite de búfala vem conquistando espaço em supermercados, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

A médica-veterinária Inara Corrêa de Almeida, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Rio Branco do Sul, explicou que o leite de búfala tem mais gordura, proteína e sólidos totais que o leite bovino. Ela apontou que o teor de gordura pode ficar entre 7% e 8%, ante uma média de 3,5% no leite de vaca.

Essa composição contribui para o rendimento na fabricação de derivados, segundo Almeida. Para produzir um quilo de muçarela, são necessários cerca de cinco litros de leite de búfala, enquanto a produção com leite bovino pode exigir dez litros; a veterinária também citou proteínas, cálcio, fósforo e vitaminas entre os componentes do leite bubalino.

Produtores, assistência técnica e geração de renda no Vale do Ribeira

Em Rio Branco do Sul, um entreposto recebe leite produzido em propriedades da região e o destina principalmente à empresa paulista Levitare, responsável pelo processamento. Pequenos produtores também fabricam queijos e outros derivados para venda no mercado local, em escala menor.

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Rio Branco do Sul oferece assistência técnica, capacitação e apoio para o cumprimento de exigências sanitárias. Entre as medidas citadas estão exames de brucelose e tuberculose e vacinação dos animais.

Welinton Eduardo Cardoso, produtor de Taquaral, em Itaperuçu, migrou da criação de bovinos para a de búfalos e, com a família, obteve crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para modernizar e ampliar a propriedade. Ele vende parte da produção de leite para um laticínio e parte no comércio local; também passou a produzir doce de leite e trabalha com sincronização de cio para organizar a chegada dos terneiros.

Em Itaperuçu, Izima de França de Jesus contou que a família iniciou a criação em 2013, com dez novilhas e um reprodutor, e chegou a ter mais de 70 búfalos. A propriedade vende leite e terneiros desmamados. Já o 1º Festival do Búfalo, realizado em agosto no Bosque Municipal de Rio Branco do Sul, reuniu cerca de cinco mil pessoas para aproximar produtores e público e apresentar a atividade e seus produtos.

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