Com apoio do Estado, primeira paciente do Paraná recebe coração artificial pelo SUS

O Caminho para a Cirurgia

A história da primeira paciente paranaense a receber um coração artificial pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começou com um desafio de saúde intenso. Andressa Fátima Reinaldi Banach, a paciente em questão, tinha 38 anos e residia em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Seu quadro de saúde era crítico, com insuficiência cardíaca grave e dilatação progressiva do ventrículo esquerdo, situação que comprometia sua capacidade de bombear sangue adequadamente.

Em 12 de maio de 2026, Andressa passou por uma cirurgia de implante do dispositivo de assistência ventricular HeartMate 3 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Após a cirurgia, ela ficou internada até 20 de maio e foi então transferida para o Paraná, onde continuou sua recuperação no Hospital do Rocio em Campo Largo.

Esse processo envolveu uma série de etapas complexas e uma colaboração significativa entre diferentes serviços de saúde, demonstrando a importância da coordenação no sistema de saúde para garantir que pacientes grave tenham acesso ao tratamento adequado.

coração artificial

Desafios da Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca não é uma condição isolada, mas sim um sintoma que pode resultar de várias condições subjacentes, incluindo hipertensão, doenças coronarianas e condições que afetam o músculo cardíaco. Em Andressa, o quadro evoluiu se tornando uma condição terminal, especialmente após complicações durante sua gestação. Antes de receber o coração artificial, ela havia sido internada por 14 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfrentava uma vida sem capacidade de realizar atividades básicas, como cuidar de seus filhos.

O Papel do SUS no Tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenhou um papel fundamental nesse tratamento, garantindo que Andressa pudesse acessar um procedimento avançado que de outra forma poderia ser financeiramente inviável. O secretário de Estado da Saúde, César Neves, destacou que a cirurgia representa um avanço significativo para o sistema público de saúde e reforçou a ideia de que o SUS pode oferecer tratamentos de alta complexidade.

O auxílio do SUS não se restringiu apenas à cirurgia, mas também incluiu toda a logística necessária para transporte e acompanhamento, mostrando um sistema bem estruturado e solidário que se preocupa com o bem-estar de seus cidadãos.

Tecnologia de Coração Artificial

O HeartMate 3 é um dispositivo avançado que ajuda pacientes com insuficiência cardíaca em estágio terminal. Este dispositivo é projetado para ser uma solução temporária ou de longo prazo para aqueles que não são elegíveis para um transplante de coração. O equipamento opera usando tecnologia de levitação magnética, o que minimiza o atrito e o desgaste, tornando-o uma alternativa segura e eficaz para o tratamento da insuficiência cardíaca refratária.

O discreto design do HeartMate 3 e sua operação contínua garantem que os pacientes possam retomar suas atividades diárias com mais liberdade e menos limitações do que antes. O mecanismo do dispositivo também permite o controle de anticoagulação, que é vital para prevenir a formação de coágulos e complicações.

Impactos na Vida da Paciente

Após a cirurgia, Andressa começou a visualizar um futuro que antes parecia incerto. A esperança de retomar uma vida normal se tornou palpável. Segundo ela, o objetivo do HeartMate 3 é restaurar a funcionalidade em sua vida e permitir que ela possa cuidar de seus filhos e realizar suas atividades diárias. “Agora a expectativa é que eu faça tudo o que tenho que fazer, que eu pegue meu filho no colo e possa viver plenamente”, afirmou Andressa.

A Importância do Apoio Familiar

A jornada de Andressa não foi solitária. O suporte familiar foi essencial para seu bem-estar emocional e físico. Seu esposo e irmã não apenas a acompanharam ao longo do tratamento, mas também participaram de treinamentos específicos para assegurar que estivessem prontos para ajudar no cuidado pós-operatório. Natally, sua irmã, expressou imensa gratidão pela chance de ver Andressa receber tratamento que poderia mudar sua vida.

Capacitação da Equipe Médica

Antes da cirurgia, a equipe médica do Hospital do Rocio se preparou com treinamento intensivo. Eles foram a São Paulo para entender como manusear o HeartMate 3 e garantir que o pós-operatório fosse gerenciado corretamente. Essa capacitação foi crucial para garantir a segurança e eficiência do tratamento de Andressa, enfatizando o compromisso do hospital em fornecer cuidados de ponta.

Logística de Transporte e Tratamento

A logística envolvida em todo o tratamento de Andressa foi extensiva. Desde o transporte em UTI aérea até a coordenação entre diferentes unidades de saúde, cada passo foi cuidadosamente planejado. Essa articulação é um exemplo da eficiência do sistema que busca oferecer o melhor atendimento possível aos seus pacientes.

História de Superação e Esperança

A trajetória de Andressa é uma narrativa poderosa de perseverança e superação. Enfrentando circunstâncias desafiadoras, ela agora se prepara para viver uma nova fase de sua vida. O apoio do SUS e a determinação dela e da família mostram que mesmo em situações difíceis, a esperança e a busca por soluções podem levar a resultados positivos.

O Futuro da Saúde Pública no Paraná

Casos como o de Andressa servem como um marco para a evolução dos tratamentos oferecidos pelo SUS, mostrando que é possível realizar avanços significativos na saúde pública do Paraná. Esta história não apenas ilumina o potencial do sistema de saúde pública, mas também reafirma a importância do trabalho colaborativo entre hospitais, profissionais de saúde e a comunidade.

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