06 de Fevereiro de 2026 às 15:30:57

Vigilância e Prevenção de Acidentes

Recentemente, um leitor do jornal Folha de Campo Largo trouxe à tona a frequente avistagem de morcegos em sua chácara localizada no bairro Botiatuva. Ele mencionou que um de seus gatos conseguiu capturar um desses animais à noite, gerando preocupação sobre a segurança da propriedade. Em resposta, a Prefeitura, através da Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental, informou que a presença de morcegos em áreas urbanas se tornou comum devido ao processo de urbanização e à constante invasão de áreas rurais por pessoas. Impedidos de encontrar abrigo em seus habitats naturais, esses animais têm ocupado forros de casas e outras estruturas humanas.

A Divisão enfatiza a importância dos morcegos na manutenção do equilíbrio ambiental, pois eles desempenham papéis vitais como controle de insetos, incluindo o vetor da dengue, Aedes aegypti, além de contribuírem para a polinização e dispersão de sementes. Por serem animais silvestres, os morcegos gozam de proteção legal, com a caça, perseguição e destruição de suas colônias sendo consideradas crimes de acordo com a legislação ambiental vigente.

Importante frisar que a simples presença de morcegos não indica a presença do vírus da raiva na região. O risco eleva-se apenas diante de mudanças comportamentais dos animais, como atividade durante o dia ou desorientação visível. A orientação é clara: em caso de avistar um morcego moribundo ou caído, a recomendação é não tocá-lo diretamente com as mãos; deve-se usar um pá ou outra ferramenta para recolhê-lo. Além disso, ao se deparar com um morcego dentro de casa, o ideal é não provocá-lo, mantendo os animais de estimação distantes e informando imediatamente a Vigilância em Saúde Ambiental.

Folha de Campo Largo

É primordial que a população siga as recomendações de vacinação de cães e gatos e evite soltá-los sem supervisão nas ruas. Essas medidas são fundamentais para a prevenção de doenças como a raiva e a leptospirose. Dúvidas podem ser esclarecidas diretamente com a Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental, que se encontra na Avenida Padre Natal Pigatto, 925, bloco 08, ou pelo telefone (41) 3291-5246.

Ademais, o Governo do Paraná recentemente emitiu um alerta a respeito da presença de morcegos e de um aumento nos acidentes envolvendo esses animais, especialmente nesta época do ano que coincide com o período reprodutivo. Embora o último caso autóctone de raiva humana no Paraná tenha sido registrado em 1987, a manutenção de ações preventivas é crucial para evitar a reintrodução da doença na população.

No caso de mordidas de cães ou gatos, é recomendado observar o animal agressor por um período de 10 dias. Se ele adoecer, se mostrar ausente ou morrer, as autoridades de saúde precisam ser informadas imediatamente. A vacinação anual de cães e gatos se mostra eficaz na prevenção da raiva, protegendo não apenas esses animais, mas também a população geral. Para animais de rua ou não identificáveis, a recomendação é evitar a aproximação e não tocar neles quando estiverem se alimentando, com filhotes ou dormindo.

Dados sobre Acidentes com Serpentes

Outro alerta importante emitido pelo Governo do Paraná refere-se aos acidentes envolvendo cobras. Segundo dados divulgados, em 2025 foram registrados 863 acidentes envolvendo serpentes. As ocorrências tendem a aumentar no verão, especialmente em trilhas, jardins e áreas rurais, já que as condições climáticas de calor e umidade favorecem a atividade possível dessas espécies. A maior parte dos acidentes foi registrada na zona rural, que contabilizou quase 80% das ocorrências no último ano.

Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), revelou 910 casos em 2023, seguindo por 918 em 2024. As preliminares para 2025 indicam 863 acidentes, distribuídos em 680 na zona rural, 171 na zona urbana e 12 na área periurbana. Em Campo Largo, foram registrados 11 acidentes em 2025. Aproximadamente 85% dos casos notificados estão associados a serpentes do gênero Bothrops (como jararaca, urutu, jararacuçu, cotiara e caiçara), enquanto 12% são do gênero Crotalus (cascavel) e 3% pertencem ao gênero Micrurus (coral verdadeira). É importante notar que aproximadamente 70% das vítimas são do sexo masculino. A faixa etária mais afetada, correspondente a cerca de 53% dos notificações, é de homens entre 15 e 49 anos, grupo demográfico que concentra a maioria da população economicamente ativa.

A Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações (DVVZI) da Sesa recomenda o uso de botas de cano alto ou perneiras de couro, além de calçados fechados para prevenir cerca de 80% dos acidentes, especialmente em atividades realizadas em áreas como matas, trilhas e jardins. Como aproximadamente 15% das picadas atingem mãos e antebraços, é sugerido o uso de luvas de couro para manipular folhas secas, lixo acumulado, lenha e palhas. Manter os arredores das residências limpos, evitando acúmulo de lixo, entulho, materiais de construção e grama alta, pode ajudar na prevenção, uma vez que esses ambientes atraem roedores, que são presas naturais das serpentes.

Cobras tendem a buscar locais quentes, escuros e úmidos, portanto, deve-se ter cuidado redobrado ao manusear lenha, palhas e ao mexer em áreas de armazenamento. No caso de um acidente, a orientação é lavar o local da picada com água e sabão, manter a vítima deitada e hidratada e procurar atendimento médico imediatamente. Se possível, uma foto do animal pode auxiliar na identificação para a aplicação do soro antiofídico correto. É importante salientar que não se deve usar torniquete, garrote ou fazer cortes, perfurações ou espremer o local da picada. Também é contraindicada a aplicação de substâncias como pó de café, folhas, álcool ou urina, a fim de evitar possíveis infecções. Vítimas não devem consumir bebidas alcoólicas após o acidente.

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